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terça-feira, 12 de outubro de 2010

BABA NA ABA DO ABADÁ DA BAHIA. UABADABADÚ.

O fundo não é natural, é papel de parede de um bar no Forte.
Você acha que de frente para isso eu tava preocupado com algum "bem" material?
Gi e Pethalla na entrada da Gávea, que fica na Rua Praia de Copacabana, na praia de Vilas em Lauro. Dá pra entender? Nem tente, venha.
UMAS TRES OU QUATRO COISAS SOBRE A BAHIA.
Nesta próxima madrugada estou voando de volta. Como neto de uma baiana (sim, o Julinho não é apenas franco-italiano metido pra cacete, ele também tem o seu pezinho na África), pois a mãe de minha mãe era baiana arretada legítima, de Catu, e mantendo a média de três em três meses visitar a Terra Santa, me dou o direito de falar algumas coisinhas sobre a Bahia, seja para quem não conhece ou seja para quem há muito não come acarajé, vatapá ou caruru. São impressões que podem não servir pra porra nenhuma, mas enfim, se eu não falar do que conheço, vou fazer o que neste bloguezinho sem-vergonha?
Pois, então meu bom, vixi mainha meu rei...
COMPORTAMENTO.
O baiano é dócil, mas tem as suas senhas. Cumprimente-os, principalmente os garçons, atendentes, recepcionistas, ambulantes, vendedores, porteiros e motoristas. Tratem-os pelos nomes e apertem-lhes as mãos. Ganharão de pronto num passe de mágica, um amigo, um sorriso simpático e natural e um aliado em suas dúvidas e intenções.
Fale baixo com eles, pois eles não são surdos, apesar de aparentemente lentos. E a lentidão é fato, mas é o jeito de vida deles e tem dado certo, para que mudar? Não caia na asneira de passar-lhes reprimenda desnecessária ou falar em tom desagradável. Eles tem uma sutileza singular e raciocínio rápido (contra todas as evidências) e podem lhe fazer passar um grande constrangimento com a maior elegância e naturalidade. Não subestimem, jamais, a inteligência baiana. Pena que tem gente que mora lá há mais de vinte anos e ainda não se deu conta disso. Resultado: Estresse mórbido.
Seja generoso ou não saia de casa. Nem pense em discutir os sagrados 10%. Você pode gastar bem mais se desrespeitar este mandamento.
Tenha paciência, sempre, ou então fique aí mesmo. Eles tem um ritmo próprio e não será seu nervosismo ou gritaria que mudarão uma estrutura penta-secular.
Podem chiar, mas o baiano é mais elegante que o carioca. Do jeito deles, e cada um a seu jeito, eles tem elegância inata e até os “ripongas” tem uma noção fina de alinhamento de cores.
O baiano é eminentemente mercantilista e te oferece coisas o tempo todo, mas diferentemente de vendedores ambulantes de estados mais ao norte, basta uma negativa e um agradecimento que eles saem de fininho, sem incômodos ou insistências inconvenientes.
É raro ver nas ruas baianas muito bonitas, esteticamente falando, mas a baiana é sensual por natureza e isso compensa algumas imperfeições plásticas.
O baiano (homem), cresce facilmente para frente e para o lado, mas raramente cresce para cima.
Se você ver no cardápio algo como “rosca de umbu-cajá”, não pense que se trata de um biscoito doce, mas sim uma saborosíssima caipivodka da maravilhosa e saborosa frutinha, que também pode ser servida com frutas -para nós- exóticas e igualmente saborosas, como capiaçu, siriguela, entre outras variedades além das convencionais para os sulistas. E eles falam rosca com o “r” tônico semi-mudo (que que é isso que eu inventei???) como usamos em ga”r”ota, ba”r”ato, a”r”anha, etc.. Não é Rosca, é apenas rosca.
Também não peça um maço de cigarros que eles não entenderão. Peça uma carteira, e não se tratará de um assalto.
Não precisa pedir farofa com dendê (amarelinha e espetacular). Todas as farofas possíveis na cabeça de um baiano são de dendê. Eles nem entenderão você pensar diferente.
DIA-A-DIA.
Por uma infeliz e malfadada decisão da Justiça a favor da Marinha, todas as antigas barracas bem-estruturadas das praias de Salvador foram derrubadas. Favelizou-se o social turístico. Face a isto, o já caótico transito fica ainda mais sobrecarregado pela fuga para praias de cidaddes vizinhas, como Sauípe, Mata de São João, Lauro de Freitas, entre outras. Burrice sem tamanho. A propósito, o baiano é muito desatento no trânsito, talvez pelo próprio “modus vivendis”. Então a já recomendada paciência torna-se um aliado imprescindível para os cardíacos. Motivo também que talvez justifique a notória predileção dos baianos por carros de pequeno porte. Os populares “carrões” cumpridões, aqui valem pouco no mercado de troca.
Mas o policiamento é ostensivo, atuante e presente. Talvez por isso, Jacques Wagner foi eleito Governador com o pé nas costas, mas falaremos disto em outro capítulo da postagem.
Se você meu amigo ou minha amiga, labuta no ramo da construção civil e está meio pra baixo, não titubeie, junte umas merrecas e venha de mala e cuia para cá. A cada dia parece que “nasce” um novo prédio ou condomínio. É um verdadeiro “boom” do (bum do, não confundir com bun da) mercado da construção.
POLÍTICA.
Se Lula tivesse optado pelo seu correligionário Jacques Wagner para o lugar da Dilma como candidata do PT, talvez as favas já estivessem contadas e o PT já tivesse levado mais essa. Mas aí, Lula não teria eleito um “poste” subalterno, e seu ego não se regozijaria tanto. Coisas de Lula. Aliás, aqui ele é excepcionalmente bem avaliado. Bolsa-família pra quem gosta de moleza e igual whisky bom no meu copo: Não se dispensa e aprecia-se sem moderação. Aliás, todo baiano sabe que o Geddel é ladrão. Mas como Lula não é baiano e tem “dificuldade” de ver certas coisas, essa também passou desapercebida para o sapo barbudo.
Ainda não sei como não inventaram a cerveja “Deputado Luiz Eduardo Magalhães”, pois de resto, para agradar o ego do pai ACM, tudo tem o nome dele. De aeroporto à puteiro.
MÚSICA.
Dizem que em casa de ferreiro o espeto é de pau. Aqui não, é de ferro mesmo. Ivete é rainha em Nova Iorque, no Rio, em São Paulo, na casa do cacete e aqui também é a número 1. Quem a conhece pessoalmente enaltece a sua simpatia e amabilidade e confessam que ela é igualzinha na vida real como é nos palcos e nas televisões. Salve, IveTuda, com T grande mesmo.
No mais, só posso garantir que qualquer um dos nossos músicos locais, seja Julinho e Gutemberg, Setas, Figurótico, Jô e Samuel, Hebert Levy, Thiaguinho, Blue Angels, The Brothers, Aubrey e Paulinho, Dinho, Erick, Pança, enfim , todos os demais que militam na noite, com um pouquinho de perseverança e bons contatos, deitariam o cabelo nas terras baianas, pois há gosto para tudo que é estilo e os músicos da noite são fraquinhos demais, mas mesmo assim, carregam torcidas e aplausos em excesso pelos talentos demonstrados. Nos bares, rola pelos cantos da noite, um papo de Rock-brega, que exalta Amado Batista, Paulo Sérgio, Odair José em formato pop-rock que é simplesmente sofrível.

Em tempo: Assim como em qualquer lugar do Brasil, com exceção de Barra Mansa e Volta Redonda, o whisky é bom e barato. Um dia, ainda vou entender como funciona o cartel na nossa região.
Tchau, Bahia, minha querida companhia. Foram quatro dias maravilhosos de sol e pedras na praia (como as praias baianas tem pedras...), mas parafraseando a lição, com as pedras que pisei, construirei meu castelinho de felicidade (ridículo, confesso).
Em dezembro estarei de volta para novamente, me render aos teus encantos, mistérios e magias.
Brigaduuuuuuu papai do céu. Seu filhinho querido te agradece de novo.