sexta-feira, 3 de junho de 2011

REMAKE NOVEMBRO 2009 - XI



FOLCLORE DE BARRA MANSA - VII

PUBLICADO EM 30 DE NOVEMBRO DE 2009,

DILETO AMIGO.
Faltavam poucos dias para eleição de prefeito de Barra Mansa em 1995. Ismael de Souza que até então era o favorito disparado para a eleição, estava sendo atropelado pela campanha de Inês Pandeló, que aproveitando da inércia de Ismael e da sua auto-confiança, contava com uma trinca de publicitários extremamente criativos que hoje comprovam o seu talento nas suas atividades. O trio era composto por Geraldo Costa, dono da Duelo em Volta Redonda, pelo Elias Rafide, o popular Peça, dono da Intermídia, e do não menos competente Tande. Com uma boa sacada e graças as respostas pífias e destemperadas de Ismael, Inês subiu vertiginosamente nas pesquisas e faturou a eleição. Me lembro que quando a primeira propaganda de Inês foi ao ar, saí desesperadamente a procura de Ismael para adotarmos uma estratégia de defesa e interdição, visto que o PT de Barra Mansa estava utilizando o espaço do PT de Resende na Tv Rio Sul, de forma ilegal, quando ouvi atônito de Ismael que eu estaria dando crédito a uma candidatinha que só tinha meio por cento nas pesquisas e que não havia risco algum à sua campanha. Quando ele acordou já era tarde e deu no que deu.
Mas voltando aos dias antecedentes do pleito, já que não sou de fugir da raia e tinha apostado todas as minhas fichas em Ismael, tentei criar algum mecanismo para que ainda tivéssemos alguma chance. Pensei que talvez um bom trabalho no dia e um bom desempenho no debate programado pela Tv Sul Fluminense, de propriedade na época do Dr. Féres Nader, poderiam ajudar a equilibrar o jogo. Féres que sempre teve guardado no cofrinho um bom dinheirinho, era talvez o caminho para isso. Através de um amigo comum, já que não tinha intimidade com Féres, consegui uma audiência com o Ex-deputado em sua casa. Fui atendido gentilmente e no horário previsto, acima da fila imensa que esperava para falar com o poderoso líder político. Ao ser abordado sobre o motivo da inusitada visita, fiz a minha explanação, rogando ao Dr. Féres que nos auxiliasse de alguma forma. Ele sempre monitorou o andamento eleitoral através de pesquisas e me falou que a vitória de Inês estava sacramentada. Dentro de seu raciocínio, Ismael entre suas falhas, não conseguia aglutinar forças políticas de expressão apara apóia-lo. Imediatamente o apartiei falando que não era uma verdade total, inclusive dizendo que na noite anterior eu tinha cerimoniado um comício em favor de Ismael com a presença do Ex-Governador Moreira Franco.
Aí a história precisa de um aparte. Nas hostes de Ismael, tinha um fiel soldado, o saudoso Dr. José Francisco Moreira, advogado que tive a honra de ter como amigo e colega no SAAE de Barra Mansa, inclusive na mesma época fomos colegas dos então despretensiosos engenheiros Roosevelt e Zé Renato, mas isso é outra história. Moreira era fidelíssimo ao Ismael e também já tinha tentado sem êxito o apoio financeiro do Féres, visto que o conhecia de longa data.
Ao falar que Moreira tinha estado em Barra Mansa conosco no dia anterior, Féres, sobressaltou-se, ruborizou o rosto, e começou a falar nervosamente:
- Eni, não é possível...
- Carlinhos. p... que pariu.
- Toamzinho, olha que m....
- Julinho, meu Deus, não me diga isso...
Não entendi nada. Depois de alguns minutos, Feres já refeito do susto me falou:
- Julinho , ontem por três vezes recebi o recado de minha secretária que o Moreira queria falar comigo no telefone. Pensei que era aquela mala do Dr. Moreira e mandei tomar no c.. Insisti tanto que a secretária mandou...
Era o meu dileto amigo Moreira Franco, p... que pariu...

REMAKE NOVEMBRO 2009 - IX



AMILTON BUENO DE CARVALHO
PUBLICADO EM 17 DE NOVEMBRO DE 2009.
A MORTE EM NOSSA MENTE.
No Congresso realizado na Aman, no final de semana passado, houveram palestras memoráveis. Não só para os militantes e estudantes de direito, mas para todos. Mais do que sábias aulas jurídicas, assisitimos algumas aulas de vida e fomos repetidamente provocados à realizar reflexões. Para mim, o palestrante mais ilustre foi o Desembargador gaúcho, Amilton Bueno de Carvalho, de quem pude desfrutar não só a palestra, mas horas de convivência com ele e sua acompanhante simpáticísisma, Flávia.
Demorarei dias para assimilar tudo que conversamos e assistimos, é será impossível retratar tudo que vivenciamos.
Depois de já ter vivido tão intensamente, diversas experiências em minha vida, é raro alguém me causar impacto. Amilton quebrou esta regra.
De cara, ele quebrou tabus ao se apresentar de jeans surrado, tênis e camisa de malha. Todos esperavam um causídico sisudo e trajando terno Armani ou similar.
Não será possível abordar tudo que foi mencionado, mas em algumas postagens, retratarei alguns tópicos.
Por exemplo, Amilton nos afirmou que a morte nos causa fascínio e inconscientemente ela é muito forte dentro de todos nós. E provou.
Solicitou a todos que escrevessem soletrando num papal as seguints letras:

A M O R T E P E Ç O.

Leia agora.

Você provavelente, assim como a maioria esmagadora dos congressistas, leu:
A MORTE PEÇO
Mas a frase soletrada corretamente, queria dizer:
AMOR TE PEÇO.
Vai daí um dos porques dos jornais venderem muio mais quando estampam em suas capas e matérias, mortes, acidentes, violência, etc...
Precisamos de amor. Mas nossa mente inconsciente quer sangue e tragédias.

REMAKE NOVEMBRO 2009 - X



PRIMEIROS E ÚLTIMOS TAPAS
PUBLICADO EM 18 DE NOVEMBRO DE 2009,
LEONEL BRIZOLA, COM CARINHO.
Como citei Brizola na minha última postagem, vu falar um pouco da minha pequena história com ele.
De 10 aos 15 anos morei no Rio Grande do Sul. Lá, movido pela mídia paga pelas forças pró-revolução militar, aprendi anão gostar de Leonel Brizola. Depois, já no Rio, não gostei quando ele voltando do exílio, fundou o PDT e lançou-se a Governador do Estado. Acreditava que isto dividiria e enfraqueceria a oposição ao Governo Militar, e por trás da abertura política e a liberação de mais três partidos, poderia haver esta cilada engenhada pelos generais autoritários.
Brizola ganhou a eleição para Governador do Rio e fez um primeiro governo de mediano para ruim. Não posso discordar de que ele usou a máquina pública para alcançar o seu sonho de ser presidente a República. Mas o carioca gostou dele. Não a ponto de eleger o seu candidato a sucessão, Darcy Ribeiro, mas ao ponto de reelegê-lo como Governador após sua fracassada candidatura à presidência, onde por meio ponto percentual, ficou fora do segundo turno, que tiveram Lula e Collor como selecionados. Talvez se Brizola fosse para o segundo turno a história teria sido diferente, mas como o “se” não existe na política, deixemos de lado.
Antes de Brizola vencer com facilidade a eleição para o seu segundo mandato a frente do Governo do Estado do Rio, me encontrava na condição de Secretário de Governo de Barra Mansa, com apenas 28 anos. O prefeito era Ismael de Souza. Mesmo antipático a Brizola, eu sabia que a eleição já estava ganha para ele, e convenci o prefeito de Barra Mansa a aceitar o convite de Noel de Carvalho para irmos à casa de Brizola em Copacabana e fecharmos apoio à ele. Barra Mansa em primeiro lugar, pensei. Já estávamos cansados de ser preteridos pelo Governo estadual.
Então, dois meses antes de pleito, fomos ao prédio de Leonel Brizola. Eu, o prefeito, Noel, vereadores da base, secretários municipais, enfim, uma delegação de aproximadamente 20 pessoas. Ao chegarmos lá e estarmos frente a frente com o líder gaúcho, senti uma emoção estranha. Já havia falado com diversas autoridades nacionais, mas nenhuma tinha me causado a reação que Brizola me causou. O seu carisma era diferenciado. Havia algo em volta dele que até hoje não consigo explicar. Ao ser apresentado a Brizola pelo Prefeito, ele me deu dois leves tapas afetuosos no rosto e disse-me: -Eu gosto de ver a juventude no poder. Conversamos por mais de três horas e inclusive o interpelei por ele achar que Resende era maior que Barra Mansa. Não aceitei o fato de quem tinha governado por quatro anos o estado, não saber das dimensões nem da população de seus municípios. Brizola só pensava em Brasília até então. No meio da conversa, veio a confissão de Brizola: - Sei que meu primeiro mandato, foi usado em prol do bem maior (A presidência). Agora, em compensação, beijarei as mãos do filhote da ditadura (Collor) para trazer benefícios para o Rio de Janeiro.
Não acreditei e voltei mais desconfiado ainda.
Brizola cumpriu o prometido, e graças a sua solidariedade à Collor, trouxe CIACS e a Linha Vermelha para o Rio. Graças a esse apoio, Collor perdeu o seu mandato, pois Roberto Marinho não aceitava a idéia de seu pupilo conviver com seu pior adversário.
Desde então, passei a ver Brizola sobre outra ótica. Percebi, que ele foi o brasileiro mais perseguido e investigado pelas poderosas Organizações Globo e o SNI, sem que jamais tenham pego uma falha moral em toda a sua extensa vida pública. A cada dia fui me identificando mais com o caudilho e percebendo que estava diante do maior brasileiro vivo.
Poucos meses antes de sua morte, Brizola visitou Barra Mansa e eu fui convidado para fazer o cerimonial. Antes de lhe passar a palavra, solicitei, como de praxe em eventos similares, a execução do Hino Nacional. Ao terminar o hino e antes de anunciar a sua fala, extrapolei de minhas funções, e falei: - Governador, aprendi nos meus cursos de cerimonial, a mirar a bandeira nacional durante a execução do Hino. Hoje, desobedeci a lição. Olhamos para a bandeira quando o hino é entoado, pois é o maior símbolo da pátria presente. Hoje, não olhei para a bandeira, olhei para vossa excelência, que é o maior símbolo vivo de nossa nação.
Após falar isso, anunciei em bom tom a fala do Governador e entrei para o camarim. Estranhei que tinham passados três minutos e nenhum som havia sido realizado. Pensei que era problema técnico. Quando então o Paulinho, aquele Deputado paulista presidente da Força Sindical, entrou no camarim e me falou: -Julinho, o Governador não vai falar enquanto não lhe der um abraço, volte ao plenário, por favor. Voltei, e Brizola me deu outro tapa com carinho, e disse-me: -Meu filho, recebi homenagens durante toda a minha vida, mas o que você falou, foi em poucas palavras, o resumo de tudo que trabalhei na minha vida para ouvir. Muito Obrigado.
Brizola morreu meses depois. Morreu um pouco do Brasil também. Morreu um pouco da nossa coragem de discutir sobre coisas óbvias e verdades aparentemente absolutas.
Nunca fui brizolista de carteirinha, mas nunca admirei tanto alguém em minha vida nos meios políticos.

REMAKE NOVEMBRO 2009 - VIII



REFLEXÕES POPULARES
PUBLICADO EM 16 DE NOVEMBRO DE 2009
TIREM AS CRIANÇAS DA FRENTE DA TELINHA...

PIOR DO QUE NÃO TER O QUE VESTIR,
É NÃO TER ALGUÉM PARA TE DESPIR...

Quem trabalha muito, erra muito. Quem trabalha pouco, erra pouco. Quem não trabalha não erra. E quem não erra é promovido.

Casamento começa em motel
e termina em 'pensão'!

PINTO É QUE NEM DOLAR : SOBE NO PARALELO E CAI NO OFICIAL .

'Um casamento vai para o brejo quando você começa a engolir tantos sapos que não sobra mais tempo para comer a perereca!'

É fazendo muita merda que se aduba a vida !!!!!

'Ironia do destino é quando um jardineiro tem um filho florzinha e uma filha trepadeira .'

'Ex-namorada é igual a McDonalds: - a gente sabe que não deve, mas acaba comendo de vez em quando'

'Não adianta ser rico e usar roupas caras se o melhor da vida a gente faz pelado '

'Nóis só num bebe acetona porque tira o esmalte dos dente'

'Tem dia que a noite é foda'

'Se tiver que casar, case com uma mulher baixa. Dos males, o menor! '

'Mulher boa deve ser tratada como o bom vinho... tem que ser mantida na horizontal, no escuro e com rolha na boca '

'Passar a mulher para trás é fácil, difícil é passar adiante!'

O esperma não é apenas um líquido gosmento, mas sim lágrimas de um pinto apaixonado !

Feliz é o dono de sex shop, que pode dizer: 'Pegue suas coisas e vá se foder!' E o cliente ainda sai todo feliz.

'Às vezes é melhor ficar quieto e deixar que pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida .'

Homem é como orelhão...
A cidade está cheia deles...
só que 75 % não funciona, e o restante está ocupado

TEM MUITA COISA AÍ QUE FAZ SENTIDO, NÉ NÃO???

REMAKE NOVEMBRO 2009 - VII



CONTINUA NA OUTRA PÁGINA
PUBLICADO EM 12 DE NOVEMBRO DE 2009
FOLCLORE DE BARRA MANSA – VI.
Era posse da Inês Pandeló na Câmara Municipal. Dia 1º de janeiro de 1997. Pela primeira vez o PT iria administrar a cidade. Pela primeira vez uma mulher seria Prefeita de Barra Mansa. Evidentemente, o plenário e as imediações da Câmara Municipal estavam lotados. Todo mundo queria falar. Regimentalmente, entre os vereadores, somente os líderes partidários teriam direito a fala. Pois bem. Uns dias antes, um determinado vereador que sempre teve imensas dificuldades de conviver com a língua portuguesa, me pediu para elaborar o seu discurso. Sabia que era perigoso, mas encarei. Preparei o pronunciamento com todo o zelo, e caprichei nos detalhes para ver se dava certo. Quando era para aumentar o tom de voz eu aumentava o tipo de letra, quando era para fazer uma breve pausa eu acrescentava espaços entre palavras, e assim por diante.
Chegou o dia da festança cívica e o calor era insuportável. Fiquei no plenário, mais por curiosidade do que por interesse, até que chegou a hora do nobre edil realizar a sua fala. Nos primeiros segundos já dava para perceber que a emenda tinha ficado pior que o soneto. Ele acrescentava letras onde não existiam, comia outras, criava pausas, errava dicção, enfim, um verdadeiro desastre. Quietinho, não me manifestei para que ninguém percebesse que era eu o autor do discurso, mesmo porque na interpretação dele, a oratória tinha se transformado noutra coisa. Mas o pior ainda estava por vir...
Num determinado momento, quando percebi ele aproximando-se do texto que lhe entreguei com dificuldade em ler, imaginei o drama... e aí aconteceu o seguinte trecho:
“Então, senhoras e senhores, em nome do estado democrático de direito.................(10 segundos dramáticos de passaram neste intervalo).........................CONTINUA NA OUTRA PÁGINA....”
Eu tinha colocado bem pequenininho para que ele percebesse que o discurso não tinha terminado, o termo “continua na outra página”, mas ele mandou em alto e bom som.
Fui me esguichando devagarinho e de saindo de fininho, e quando cheguei em casa agradeci por não ter sido descoberto. Me senti um fora-da-lei.

REMAKE NOVEMBRO 2009 - VI



CHEQUINHO GENEROSO
PUBLICADO EM 11 DE NOVEMBRO DE 2.009
FOLCLORE DE BARRA MANSA – V.
Numa das seis gestões de Ademir Melo na Presidência da Câmara Municipal, os vereadores ficaram temerosos em relação às questões previdenciárias envolvendo o Poder Legislativo. Fui incumbido na qualidade de Secretário geral, de providenciar um congresso para que os vereadores através de intercâmbio com demais colegas e autoridades, dirimissem suas dúvidas. Na época, percebi que o clima entre os nobres edis não estava muito bom e imaginei que um Congresso distante possibilitaria maior interação entre os colegas. Descobri um Seminário oficial em Fortaleza que caia na medida exata. O assunto abordado no congresso era o desejado, e a capital cearense com seus encantos, tinha tudo para amenizar possíveis ressentimentos políticos.
Tudo providenciado, foram dez vereadores, além de mim e uma funcionária sorteada para fazer companhia de quarto para a vereadora Sônia Coutinho, visto que era a única vereadora da comitiva.
Marquei uma micro-ônibus para a porta da Câmara, no início da manhã, para que fôssemos conduzidos ao Galeão.
Até que os vereadores chegaram no horário previsto, mas alguns, trouxeram para a despedida, seus familiares. Foi um festival de beijos, abraços, e lágrimas, que parecia uma despedida para a formação de tropas brasileiras rumo à Terceira Guerra Mundial. Dos doze membros da viagem, oito jamais tinham entrado num avião e pelos menos a metade destes tinha declarado medo do transporte aéreo.
Saímos atrasados pelas declarações de solidariedade e apoio, e foi inevitável uma parada no caminho para um lanchinho tranqüilizador.
Na parada, a conversa rolava, o que era esperado no meio de tantos políticos, e fiquei temeroso em perdermos o vôo, o que de fato aconteceu.
Como “líder” da comitiva, interrompi o bate-papo e exclamei: “Vereadores, por gentileza, vamos pagar a conta e ir embora, senão chegaremos atrasados para pegar o “check-in” no Aeroporto”.
Neste momento, com lágrimas nos olhos, o vereador José Marques se dirigiu ao Ademir Melo e falou:
- Presidente, você é uma “benço” na nossa vida. Além de pagar o congresso pra gente, pagar avião e hotel, ainda tem um chequinho pra nóis gastá no Ceará... Oh! Homi bom, sô...

Pelo prenúncio, não preciso dizer que a viagem foi inesquecível.

REMAKE NOVEMBRO 2009 - V



QUIM-QUIM MALQUISTO
PUBLICADO EM 10 DE NOVEMBRO DE 2009
FOLCLORE DE BARRA MANSA - IV.
Era semana cívica em Barra Mansa. Havia desfile no Centro da cidade. Ainda pairavam no ar comentários sobre a cassação do suplente de Deputado federal Féres Nader, por supostos desvios no orçamento da União. O episódio ficou conhecido nacionalmente pelas páginas da VEJA como "Anões do Orçamento". A cassação de Féres, talvez tenha sido o único caso no mundo de um deputado cassado na condição de suplente por malversação do erário. Até hoje ainda não entendi muito bem.
Bem, mas o certo é que Féres, meu grande amigo, não estava gozando de um cartaz muito grande perante o eleitorado. Mas para testar a sua popularidade, Féres foi à Avenida Joaquim Leite no Centro da cidade, no saudoso tempo em que o desfile era lá e jamais deveria ter saído, para cumprimentar amigos, afinal eleições estavam próximas e consangüíneos seus estavam na disputa.
Como a rua estava muito cheia, foi difícil para Féres ser notado.
Inteligente e perspicaz, Féres resolveu atravessar a rua para ser percebido pelo povão.
Para não fazer o ato só, pois político que se preza não vai sozinho nem ao banheiro, Féres chamou seu fiel escudeiro, o recente falecido Quim-Quim, amigo leal de longa data de Féres, para acompanhá-lo na missão.
Ao atravessarem a rua entre um desfile e outro, e serem observados pela multidão, uma estrondosa e sonora vaia ecoou na Avenida.
Féres, imediatamente, do alto de sua impagável rapidez de raciocínio e absoluta segurança em relação ao seu prestígio perante o povo barramansense, não titubeou e mandou na lata do seu acompanhante:
-Quim-quim, preciso escolher melhor as companhias com que vou às ruas. Ouviu as vaias que o povo te deu? Eles não gostam muito de você!!!

REMAKE NOVEMBRO 2009 - IV

OPOSIÇÃO
PUBLICADO EM 09 DE NOVEMBRO DE 2009
FOLCLORE DE BARRA MANSA - III
Conforme já postei aqui, no Governo Inês Pandeló, não havia uma semana em que não fizesse um panfleto de oposição ao Governo Municipal. A maioria era assinada pelo então vereador e amigo Joaquim Pitombeira.
Inês foi bancária no mesmo tempo que eu, e na época conseguimos efetuar alguns movimentos juntos paralelos ao Sindicato dos Bancários. Graças a sua disposição e sua forte penetração nos segmentos católicos, Inês elegeu-se vereadora, e numa resposta da cidade contra a política convencional e seus líderes desgastados, acabou despretensiosamente galgando o cargo de Prefeita. Sempre a achei bem intencionada, mas era muito mal rodeada. Após o final do seu mandato, cheguei a lhe falar numa Flumisul, que o grande erro que ela cometeu foi acreditar que todas as pessoas que carregavam uma estrelinha vermelha no peito, carregavam junto um atestado pleno de capacidade e honestidade, e todos aqueles que não simpatizavam com as causas petistas, eram por natureza, corruptos e incompetentes. Os jornais atuais mostram claramente que eu já estava certo naquela época.
Mas enfim, pos inexperiência e por má influência, o governo de Inês foi desastroso. O IPTU aumentou 400% em média, sem critério técnico justo ou plausível. Mais de duas centenas de professores da FEBAM foram demitidos arbitrariamente. A cultura sofreu um esvaziamento geral, que infelizmente, dura até hoje. Os trabalhadores da prefeitura, esperançosos no governo petista, tiveram seus salários achatados e vilipendiados. A merenda escolar era mal gerida e inclusive doada para os sem-terra, como foi provado em matéria jornalística na época. Ruas esburacadas, hospitais e postos de saúde abandonados, lixo mal recolhido, esporte renegado, carnaval esquecido, violência imperando, gastos super-dimensionados com imprensa, e muitas, muitas denúncias de malversação de erário.
Inspirado no “Apesar de você” do Chico Buarque, fiz uma canção retratando o momento.
Perdoe-me Deputada, que faz um digno trabalho na Alerj, mas a gestão foi fraquinha mesmo.

TRAIU-ME PT. PONTO FINAL.
Você me roubou o sorriso, meu riso e meu viço de viver
Você me roubou a esperança, que desde criança eu tinha em você
Você implantou a maldade, e a minha cidade chorou ao sofrer
Você seqüestrou a alegria, a vida, a poesia, traiu-me PT.

Você iludiu o operário, e o parco salário, sucumbiu de vez
Você seduziu a imprensa, que por verbas e rendas, gostou de vocês
Você maculou a igreja, embora ela não veja, o mal que nos fez
Você me fez sentir saudade, pois minha cidade, não tinha Inês.

A escola não teve merenda, e sua renda, horrenda, você malversou
A rua só tinha buraco, cavalo e rato, assalto e terror
Hospital teve sempre doente, e o povo carente, não teve doutor
E o lixo reinou na avenida, sombria e ungida, que você pisou.

Meu futebol foi jogado de lado, pois meu prazer jamais teve valor
Meu povo traído e humilhado, comeu pão-de-ló que o diabo amassou
Meu samba foi largado e esquecido, acabastes até, com meu carnaval
Por isso o meu peito sentido, decreta PT, o teu Ponto Final.

REMAKE NOVEMBRO 2009 - III



MARTHA ROCHA
PUBLICADO EM 06 DE NOVEMBRO DE 2009.
FOLCLORE DE BARRA MANSA – II.
O causo anterior foi usado por mim num determinado momento político: No governo Inês Pandeló, Barra Mansa atravessou sérios problemas administrativos. A prefeita, bem intencionada, mas inexperiente, cercou-se de pessoas incapazes para ocupar os cargos destinados a elas. Muitas por puro desconhecimento técnico, e outros por má fé mesmo. A Câmara, através do vereador Joaquim Pitombeira foi palco e quartel general de uma oposição ferrenha e contundente. É verdade que Pitombeira bancava os textos que fazíamos para ele. Ninguém duvidada disso. Todos sabiam que os panfletos assinados por Pitombeira tinham outros autores e a maioria absoluta era de minha titularidade. Nunca fizemos muito segredo disso. Só não concordava com panfletos apócrifos. Covardia nunca foi a nossa praia. Depois, passei eu mesmo a assinar alguns textos que eram postados nos jornais da época. Um destes secretários da Inês, um engenheiro que aliava incompetência com interesses pessoais escusos, partiu em defesa da administração, e na sua coluna “jornalística” rebatia nossas críticas.
Faço um aparte para contar um detalhe imprescindível para a compreensão da história: Quando fui Secretário de Governo de Barra Mansa, tinha como colega na pasta de Administração, a Senhora Doricléia Pineschi de Oliveira, pessoa que faz parte da história contemporânea do Sul-Fluminense. Ela tinha um carinho especial por mim e me achava com alguns encantos físicos com todo o respeito, afinal tinha idade para ser minha mãe. Apelidou-me de Marta Rocha por crer que eu tinha semelhanças faciais com a eterna Miss Brasil. Puro exagero, mas entendi o chamego. Evidentemente os amigos não perderam a oportunidade de levar a alcunha para um sentido mais jocoso. Nunca liguei para isso nem para apelido nenhum, até achava graça, como ainda acho até hoje quando alguns íntimos me tratam assim. Nunca tive a menor dúvida da minha heterossexualidade, mas sem nenhum preconceito contra ninguém.
Pois então, o Engenheiro, baixinho, gordinho, careca e mal acabado, usou desta faceta, pois no Governo que participei, infelizmente ele também fez parte por um período nefasto. E colocou em uma de suas inócuas colunas o seguinte texto: “..Tem uma Marta Rocha lá na Câmara, que fica falando bobagens pelos corredores e soltando calúnias contra nosso Governo honesto, democrático e popular, blábláblá...blábláblá...”.
No dia seguinte, escrevi meu artigo citando a passagem mencionada no post anterior, para justificar a minha resposta em forma de poesia:

“Um baixinho indecente,
Feio e mal-acabado,
Num ato inconseqüente,
Chamou-me de afeminado.

Fosse eu então mulher,
Bela como Marta Rocha,
Vomitava no baixinho,
Gordo, careca e broxa”.

Dizem que ao ler a coluna, ele saiu às ruas me procurando para tirar satisfações.
Pena que não achou até hoje.
Seria um grande prazer.

REMAKE NOVEMBRO 2009 - II



BARRO BATUTA
PUBLICADO EM 06 DE NOVEMBRO DE 2009.
FOLCLORE DE BARRA MANSA - I.
A postagem anterior me fez lembrar um causo. Conta o folclore político de Barra Mansa que há muitos anos atrás, nas acirradas brigas políticas das cidades do interior, João Chiesse e Raul de Barros era adversários ferrenhos. Num comício as vésperas eleitorais os apartidários do saudoso Raul de Barros, dono da primeira casa que freqüentei na cidade, pois era pai do meu amigo Aécio e do atual presidente da Câmara de Vereadores, Lula, encheram o bairro Cotiara com aproximadamente 5.000 assistentes. Os comícios antigamente eram uma atração festiva e um evento social. Pois bem, como o clima estava quente, Raul e seus correligionários teceram pesadas críticas aos seus desafetos políticos, inclusive usando termos muito pesados para a época com até suspeitas de masculinidade. Palavrões, segundo consta, também não faltaram. Cacete puro. Porém, como era comum, existiam infiltrados na massa, “espiões” do ofendido, que rapidamente se dirigiram a casa do líder para narrar o ocorrido. Calmamente, João Chiesse ordenou aos seus militantes que juntassem para o outro dia, no mesmo local e no mesmo palanque, outro tanto de gente para poder dar a sua resposta. E assim foi feito. Na noite seguinte, outras 5.000 pessoas se reuniram no bairro, ansiosos pela resposta do cacique político. Antes da sua oratória, diversos adeptos da política de Chiesse enalteceram as virtudes do “chefe” e deflagraram outras pesadas críticas à Raul de Barros. Porém, todos queriam mesmo era ouvir João Chiesse e o teor de sua resposta no final apoteótico do comício. Ao pegar o microfone, segundo dizem, João foi sucinto e falou:
“Amigos, companheiros, correligionários, senhoras e senhores presentes, boa noite. Este mesmo palanque ontem foi palco de um festival insano de baixarias, ofensas morais vilipendiosas, palavras de baixo calão, declarações indecorosas, destemperos inconseqüentes e injúrias covardes. Raul de Barros e seus asseclas envergonharam as senhoras e as crianças presentes com suas falas desconexas e desmedidas. Mas do alto de nossas virtudes morais imprescindíveis para os homens públicos de bem, não responderei no mesmo tom em respeito à família barramansense. Para dar um tapa de luvas nos meus opositores, responderei ao meu adversário em forma de poesia:

“ADÃO FOI FEITO DE BARRO,
BARRO DO BOM E BATUTA,
MAS ESSE TAL DE RAUL DE BARROS
Ô BARRO FILHO DA PUTA.””

REMAKE NOVEMBRO 2009 - I



CHEIO DE MANIAS
PUBLICADO EM 06 DE NOVEMBRO DE 2009.


ELE SABIA...
Um bem sucedido empresário residente em Barra Mansa, que omitirei o nome em respeito, ficou folclórico na região pelo seu mau humor e sua autenticidade bruta. Tinha poucos amigos, mesmo gozando de sólida condição financeira. Não era elegante nem cortês, mas sua personalidade forte tinha certo charme. Era um homem que viveu platonicamente duas paixões intensas e amava, de um jeito muito peculiar, os seus filhos. Economizava palavras, mas quando as soltava causava impacto devastador. Tínhamos conhecidos comuns e não sei certamente o porquê de passar a fazer parte do restrito rol de seus afetos nos seus últimos meses de vida.
Um certo final de tarde de verão, com dia claro devido ao horário especial da temporada, dias antes de sua morte por enfarte, que foi tão forte que fez até barulho, ele me solicitou que largasse a roda de baralho em que estava para lhe fazer companhia na sua mesa. Pediu gentilmente, o que era raro, para que eu pudesse compartilhar com ele alguns momentos de silêncio. Apesar de insólito, aceitei o convite, pois percebi que ele precisava de companhia naquele momento, o que dificilmente ele demonstrava. Não gostava de aparentar fraquezas. Seus negócios exigiam pulso forte e ele tinha que manter a sua imagem austera. Pediu uma cerveja, serviu meu copo, colocou seus óculos escuros e começou a mirar o além, perdido nos seus pensamentos tão incógnitos. Respeitosamente acatei o silêncio. Passada mais ou menos meia hora deste encontro tão singular, ele proferiu as primeiras palavras: - Julinho, um amigo meu pensou em se suicidar. Perguntei qual o motivo. Ele respondeu que o amigo tinha descoberto que sua filha solteira estava grávida. Evidentemente nenhum de nós dois vimos motivo para atitude tão extrema. Sabia que o que ele falou era prenúncio de outros impactos provocados no seu íntimo. Mas respeitei o seu pesar mesmo sem entender o porquê. Minutos passaram, ele pediu a conta, pagou, tomou o último copo, e ao se despedir e agradecer, me confidenciou: -Eu daria a minha vida para passar pelo mesmo problema. Entendido.
Todos achavam que ele não sabia das preferências sexuais pouco convencionais de sua filha. Elee sabia. E sofria do seu jeito. Não compartilhava compaixão com ninguém. Era um ser humano como outro qualquer coberto por uma forte armadura de aço, mas frágil perante os dissabores da vida. Por seus conflitos internos, era um homem cheio de manias e sistemas peculiares. Em sua homenagem fiz uma letra, não póstuma, mas como se ele estivesse ainda aqui perto de nós. Talvez esteja.

CHEIO DE MANIAS
Uma voz que vem de dentro
Uma dor que vem do fundo
E em menos de um segundo
Volto a me dissimular

As histórias que carrego
São amargas, são sofridas
São resquícios de outras vidas
Onde busco me encontrar

Os amigos que eu tive, foram bar e utopia
As mulheres que me amaram, foram sexo e prazer
Os minutos de alegria, foram frios e vazios
Os amores que eu tive, acho que “inda” vou ter

Nos ofícios que me deram
Fui de Rei à vagabundo
E nas voltas desse mundo
Eu dancei sem ter um par

As pessoas que me deram
Tanto gosto e fantasias
Já partiram dessa vida
São enfeites do luar

Os sonhos que eu carregava, por meus dedos escorreram
As bravatas que eu contava, já calaram, já morreram
E os bens que possuí, já são pagina virada
Já não valem meu apreço, já não valem nada

Por isso sou cheio de manias
E as alegrias teimam em me deixar
Por isso canto essas nostalgias
E quem sabe um dia, vou comemorar.

SUBINDO...



PARTIU...

Subindo pra Maromba, Olhando o azul do céu, Debaixo dos meus pés, Estrada natural, Deixo para trás cidades, Caminho em direção, Procuro o Paraíso, Na imaginação, E no meu coração, No Vale do Pavão, Eu vejo a Primavera, Curtindo a refavela, Tudo por aqui é lindo, Tudo é muito bom, O som das cachoeiras, Balança o coração. A letra de "Subindo pra Maromba", dos meus amigos Silvinho Raya e Marcial, reflete bem o espírito que me assalta à poucos minutos de partir pra Maringá. Estou precisando respirar aquele ar e curtir a maravilha da natureza. Vou deixar voces com o remake das postagens que marcaram o mês de novembro de 2009, o segundo mês de vida de nosso Blog.

Mas antes disso, informo que as peças se mexem velozmente em Barra Mansa nos bastidores da política. Paulo Cosenza voltou da Europa super animado e contratou uma equipe fortíssima para cuidar de seu marketing e da sua imagem, profissionais que trabalharam na campanha vitoriosa do Lindberg para o Senado Federal. Ademir Melo, a pedido do Índio da Costa e do Governador Sérgio Cabral está fortalecendo um novo partido na região sul-fluminense. Marcelo Cabeleireiro não anda tão animado pois soube de uma possível negociação do PT com o PC do B, que levaria os comunistas apoiarem a candidatura petista de Conceição Rabha em Angra e em troca o PT apoiaria Jonas Marins em Barra Mansa. Do lado do bem, o desespero toma conta a cada sondagem de opinião pública realizada e não se vê horizonte nem norte, assim como na própria administração. Na contra mão da história, soube-se que o Rodrigo Drable foi de pires na mão encontrar-se com o prefeito Zé Renato, aceitando até filiar-se no PMDB em troca da indicação para a secretaria de educação, pois sabe-se que se a Rutinha continuar jogando bola das costas do Zé da Anunciação a Vitória vira derrota de vez. Lamentável.

Enfim, fiquem com nossos remakes e vida que segue. Lá em Maringá vou orar por todos nós e pela vida em abudância.

Um bom final de semana, com muita paz no coração, e muito, muito, muito amor na cama.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

ÚLTIMA CHANCE.



SÓ ABRINDO OS OLHOS, POUPAREMOS OS OUVIDOS.

Não sei se todos os moradores de Barra Mansa perceberam, mas de algumas semanas para cá, não consigo passar meia hora durante o dia sem ouvir o barulho estrondoso de sirenes no centro da cidade. Não sei se são bombeiros, ou policiais civis, ou policiais militares, ou ambulancias, ou guardas municipais, ou UTIS móveis, mas é uma sirene atrás da outra. Isso evidentmente não é um bem sinal, aliás a cidade está com péssimos sinais. Apesar de vivermos numa cidade que ficou economicamente fraca, Barra Mansa é uma cidade barulhenta e olhem que música não é permitida. São sirenes e trens a nos perturbar o sossego a todo instante. Seria sinônimo de violência? Pelos jornais, pode-se creditar o fenômeno a tal fato. Seria sinônimo de emergencias de saúde? Pelo caos que atravessos também podemos atribuir a isso o fato gerador, mas o que fica no ar é que hoje vivemos numa cidade sem ordem, sem lei, sem vida, sem saúde, sem transito, sem educação, sem esperança. É preciso despertar as sirenes da nossa consciencia e jamsis esquecermos de que ano que vem teremos uma oportunidade ímpar e derradeira nas mãos, mais precisamente nos dedos, quando dedilharmos os números de nossos votos. Não podemos mais errar. Pelo nosso BEM. O BEM deles já foi muito BEM servido.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

REMAKE OUTUBRO 2009 - XII




PAIXÃO POR MARINGÁ
PUBLICADO EM 30 DE OUTUBRO DE 2.009.
RIO PRETO
Eu sou apaixonado por Maringá. Nem Mauá nem Maromba, que acho muito legais, mas meu negócio é Maringá. Essa semana tive a certeza de que estão liberados 47 milhões de reais para a contrução da Estrada Parque que vai da Capelinha até o meu santuário. Vai ser difícil ficar aqui nos finais de semana. Enquanto a grana der eu vou. Mesmo com a estrada ruim, sempre que crio coragem encaro o caminho, e tantas coisas interessantes acontecem a cada viagem. Sempre é uma nova aventura para o espírito. Sempre se conhece gente interessante e os momentos vividos são mágicos. Sempre nossos olhos apreciam visuais novos e inesquecíveis, sem contar na comida maravilhosa e na boa música que sempre rola. Marcial e Silvinho Raia já homenagearam o local com o "Subindo pra Maromba" que é sucesso sempre. Como o Rio Preto corta os estados de Minas e Rio e diz tanto na minha vida, fiz uma letra em sua homenagem, baseado nos lugarejos que ficam pertinho do céu ( Santa Clara, Marimbondo, Mirantão, Vale das flores, Vale das cruzes, Vale do pavão, Maromba, Escorrega, Alcantilado, Bocaina, Fumaça, etc...) que está muito longe de ser tão bonita quanto o Rio, mas é o que me veio na mente num dos finais de semana felizes vividos por este blogueiro na serra. Espero que gostem.

RIO PRETO
Da Mantiqueira vem
Um santo clarão
Um marimbondo perdido
Na trilha do Mirantão
Entre as flores e as cruzes
E as penas do meu pavão
Entre a grama e as pedras
Maromba desce emoção



A noiva de véu e saia
Engalanada na serra
O Paraíba espera
A noiva de Itatiaia
Quem escorrega não falha
Alcantilado na terra
É a Bocaina que berra
A voz que queima na palha


Rio Preto destino
Estrada em busca da paz
Rio Preto divisas
Divisas de Minas
Divisas gerais


Maravilha natural
Paraíso mineral
Reis silvestres animais
Mil duendes imortais


Preto de maringá
Berço da criação
Preto lá de Mauá
Leito da redenção
Preto que me dá paz
Preto que me seduz
Passa o preto rapaz
Pela mão que te conduz


Preto virou fumaça
A água virou cachaça
Cachaça da cachoeira
De volta pra Mantiqueira...

REMAKE OUTUBRO 2009 - XI



TREM BALA
PUBLICADO EM 30 DE OUTUBRO DE 2.009.
UMA BALA NO TREM INSANO DO BAIRRISMO.
Essa história do trem bala carrega ares de retrocesso no ar. Todos sabem do meu amor por Barra Mansa e do meu reconhecimento ao banho de organização que Volta Redonda tem dado na cidade mãe e vizinha. Sempre fui e sempre serei contra as rivalidades absurdas que foram implantadas entre as duas cidades. Os problemas sociais das vizinhas são iguais e precisam ser tratados com uma visão global e não mesquinha. Eu adoro o prefeito Neto, que é meu amigo e de quem tenho orgulho de visitar semanalmente nos horários de folga para jogarmos nosso baralhinho. È um exemplo de político e gente de bem. Na minha avaliação, o seu único erro histórico, que me forçou a tecer diversas críticas na época, foi o preconceito contra moradores das cidades vizinhas na admissão de pessoal para as obras de expansão do Alto Forno da CSN. Mas isto faz parte do passado e devemos enterrar este assunto. Por isso, não quero que a história do trem bala reacenda uma concorrência insana entre as duas cidades. Não adianta morar numa mansão e ser vizinho de uma favela sem condições sociais. A felicidade e a segurança da mansão nunca serão possíveis. Portanto, creio que por uma questão técnica e logística, Barra Mansa oferece condições territoriais mais adequadas para receber a parada do trem bala, no bairro São Judas Tadeu, pertinho do Centro de VR, que pelo local proposto pela cidade, atenderia até com mais comodidade os moradores de Volta Redonda, ao passo que se a parada for no bairro Roma, na Cidade do Aço, o desconforto será igual para ambas as cidades. Neto está fazendo a sua parte como prefeito de Volta Redonda, mas a coisa tem que ser analisada sobre uma ótica mais consciente do que bairrista. Temo que a Prefeitura de Volta Redonda esteja mais preparada política e tecnicamente para lutar pela conquista, por isso é necessário sermos solidários ao prefeito Zé Renato nesta empreitada, dando-lhe condições de apresentar um projeto de igual, ou melhor, porte que a concorrente. Creio que assim ganharemos todos, mesmo porque a Cidade do Aço já vai ser contemplada com o aeroporto e o hospital regional. È é justo que isso aconteça, mas a parada do trem bala tem que ser no Barrão, por questões técnicas que devem se sobrepor à política.

REMAKE OUTUBRO 2009 - X



DEUS PERMITE O DESEJO
PUBLICADO EM 29 DE OUTUBRO DE 2.009
SANTA EMOÇÃO.
O mundo viveu sua revolução sexual. Chegou a ficar desenfreada e ficava até difícil imaginar os limites a serem rompidos, tamanha a velocidade da liberação. Isto se deu mais profundamente entre o final dos anos 70 e na década de 80. Aí veio a AIDS. Não só os laboratórios farmacêuticos tiraram proveito da situação, mas as religiões usaram a pandemia para tentar reorganizar seus rebanhos. Exageraram na dose e criaram pânicos descabidos e até hoje as contra-informações sobre os reais grupos de risco ainda são confusas para o homem, principalmente os mais temerosos. O sexo livre virou pecado mortal e muitas pessoas passaram a se auto-condenar e auto-flagelar, penitenciando-se pelos pensamentos impuros inerentes a qualquer ser vivo. Nesse período fiz o poema abaixo, Abordando a transposição de barreiras em busca de momentos fulgazes de felicidade. É uma ode ao desejo carnal sem macular a religiosidade que deve estar presente também em cada um de nós. Espero que apreciem.

SANTA EMOÇÃO

Reze sua oração com euforia
Deixe entrar a magia e seu corpo arder
Deixe a rosa abrir e fluir a energia
Deixe a perna tremer e a boca gemer.

O desejo num beijo seduz e conduz
Para um toque de corpos, um raio de luz
Um encontro de amor, o desdém ao pudor
De dois anjos carentes, sedentos e nus.

São dois seres aflitos, um pouco malditos
Que não ligam pra nada a não ser o querer
São dois filhos de Deus que a carne uniu
E a pele ungiu num profano prazer.

Sinta então o fervor de um ato tão são
E depois do amor, a total comunhão
Em carinhos velados de corpos suados
Que ousaram a viagem da santa emoção.

Um pecado vivido, um dia a mais
Devoção de volúpias, uma prece fulgás
Saciada ansiedade e por nossa vontade
Nos amamos de novo, e dormimos em paz.

REMAKE OUTUBRO 2009 - IX



CURIOSIDADES OPORTUNAS
PUBLICADO EM 29 DE OUTUBRO DE 2.009
PARA A TURMA DA BOQUINHA E DO BEM.

COMO SURGIU A EXPRESSÃO “LÁGRIMAS DE CROCODILO”?
A expressão é usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele “chora” enquanto devora uma vítima.

COMO NASCEU A EXPRESSÃO “DEIXAR AS BARBAS DE MOLHO”?
Na Antiguidade e na Idade Média, a barba significava honra e poder. Ter a barba cortada por alguém representava uma grande humilhação. Essa idéia chegou aos dias de hoje nessa expressão que significa ficar de sobreaviso, acautelar-se, prevenir-se. Um provérbio espanhol diz que “quando você vir as barbas de seu vizinho pegar fogo, ponha as suas de molho”.

POR QUE SE DIZ QUE ALGUÉM QUE ESTÁ COM MEDO VAI FAZER XIXI NAS CALÇAS?
Porque uma situação que nos causa medo pode desencadear uma reação do sistema nervoso que aumenta a pressão sobre a bexiga, levando à contração involuntária do órgão e ao descontrole urinário.

POR QUE ROEMOS AS UNHAS?
Segundo o psicólogo clínico Janos Andréas Geocze, roer as unhas funciona como um alívio para ansiedade, insegurança e até agressividade. Semelhante ao reflexo de sugar, o ato lembra o hábito infantil de colocar o dedão na boca.

QUAL A ORIGEM DA PALAVRA “PUXA-SACO”?
No livro A Casa da Mãe Joana, Reinaldo Pimenta conta que esta expressão surgiu a partir de uma gíria militar. “Puxa-sacos eram os ordenanças que, de modo submisso, carregavam os sacos de roupa dos oficiais em viagem”, conta.

QUAL É A ORIGEM DA EXPRESSÃO “SANTO DO PAU OCO”?
Durante o século XVII, as esculturas de santos que vinham de Portugal eram feitas de madeira. A expressão surgiu porque muitas delas chegavam ao Brasil recheadas de dinheiro falso. No ciclo do ouro, os contrabandistas costumavam enganar a fiscalização recheando os santos ocos com ouro em pó. No auge da mineração, os impostos cobrados pelo rei de Portugal, eram muito elevados. Para escapar do tributo, os donos de minas e os grandes senhores de terras da colônia colocavam parte das suas riquezas no interior de imagens de santos ocos.

O QUE SIGNIFICA O DITADO “O QUE É DO HOMEM O BICHO NÃO COME”?
A frase quer dizer que as características intrínsecas às pessoas não podem ser modificadas por fatores externos. O “bicho” representa a sociedade, as leis, regras ou até outras pessoas. Segundo o dito popular, não adianta nenhum destes “bichos” lutarem contra os sentimentos e características arraigados em alguém.

POR QUE EU ESTOU POSTANDO ESSAS COISAS SEM SENTIDO?
Para dar sentido ao seguinte recado:
“PUXA-SACOS DO SANTO DO PAU OCO DE BARRA MANSA, ROAM AS UNHAS, FAÇAS XIXI NAS CALÇAS, PONHAM AS BARBAS DE MOLHO E CHOREM LÁGRIMAS DE CROCODILO, PORQUE O QUE É DO HOMEM O BICHO NÃO COME”.

REMAKE OUTUBRO 2009 - VIII



PEDAÇOS DO MEU BRASIL EM DEVANEIOS TRISTES
PUBLICADO EM 27 DE OUTUBRO DE 2.009
PEDAÇOS DE BRASIL.

Vivemos dias conflitantes. Se por um lado aflora o nosso orgulho de ver o Brasil ser sede da Copa do Mundo e o Rio ser a capital do esporte com a vinda das olimpíadas, por outro lado, nossas mazelas continuam assolando nossa sociedade. Minha visão desse país continental que tanto amamos, é por vezes triste, como no meu poema abaixo.
Aos amigos músicos, se por ventura interessar, em especial, Marcial, Silvinho Raia, Figurótico, Toni Madeira e Julinho Marassi, aceito parceria na construção da melodia desta letra desabafo deste brasileiro que ainda não perdeu a esperança mas carrega dentro do peito um vazio por estar assistindo a tudo isso sem reagir como acha que devia. Mas enfim, apesar de tudo, este é o nosso Brasil maravilhoso.

BRASIL EM PEDAÇOS

UM COQUEIRO AO LUAR
SUAS SOMBRAS DE AMOR
OS VERDES DE NOSSO MAR
AS ONDAS E SEU FULGOR
UMA LUA FLUORESCENTE
AS COMIDAS DAS GERAIS
UMA CHUVA DE LUZ CADENTE
OS CASSINOS ILEGAIS

UMA MOÇA SORRIDENTE
UM TALENTO EM CADA ESQUINA
O BIQUINI DA MENINA
A SINA DE MEU PAÍS
UM VIGIA FLANELINHA
A CERVEJA, A PURRINHA
UMA SELVA EMPEDRADA
NAS COISAS QUE DEUS ME DIZ

A DESMEDIDA AMBIÇAO
DOS CANARINHOS DA BOLA
O SERTÃO QUE ASSOLA
UM DESERTO FLUVIAL
OS BICHOS DO PANTANAL
UM CRISTO TÃO ABRAÇADO
O SAMBA E SEU REINADO
O GOZO DO CARNAVAL

O SEXO É MARGINAL
O SABOR DO MEU PECADO
A SERIEDADE DE LADO
UM PARAÍSO FISCAL
A FLOR ORIGINAL
OS SAVEIROS DO PESCADO
O HORÁRIO ALTERADO
UM QUARTEL NO VIDIGAL

AS CORES DA NOSSA GENTE
A PATENTE DO CAFETÃO
AS FLORESTAS E AS ARESTAS
DA NOSSA LEGISLAÇÃO
UM GLOBO OFICIAL
A LENTE DA NAÇÃO
O JORNAL DO GENERAL
O CHEFE DO ESQUADRÃO

AS NOITES TÃO MELINDROSAS
OS DIAS DE AFLIÇÃO
AS CASCATAS E AS MADEIXAS
DAS GUEIXAS DO AMOR EM VÃO
AS LENDAS E AS MENTIRAS
O PRAZER É PROFISSÃO
AS PROSAS, AS POESIAS
O SANGUE DA EDIÇÃO

UM ENFERMEIRO DE PLANTÃO
AS AREIAS, AS DUNAS
AS BELEZAS DAS LAGUNAS
O AMARGO CHIMARRÃO
AS GORJETAS, AS VACINAS
AS CESTAS E AS QUENTINHAS
O TALCO DAS PATRICINHAS
A FALTA DE NOSSO PÃO

A SAGA DO FUTEBOL
O VOTO DO ELEITOR
O VERMELHO DO ARREBOL
O SOL QUE SEMPRE BRILHOU
AS ILHAS E SUAS BARCAS
AS MARCAS DA SOLIDÃO
AS LOURAS, AS SUAS SAIAS
AS VAIAS DO CIDADÃO

AS CORTINAS DE FOGO
OS CAMINHÕES DE FUMAÇA
A CACHAÇA E A PRAÇA
DO BANCO DO OPRESSOR
UM LINDO LAGO DE AMOR
UM CASAL DE NAMORADOS,
RETIRANTES, SEQUESTRADOS
NUMA NOITE DE ESPLENDOR

UM REAL IMAGINÁRIO
UM OTÁRIO, UMA PROPINA
UM CAFÉ, UMA CANTINA
UM SOLDADO OPERÁRIO
A OFENSA DE UM SALÁRIO
TIO SAM É O PROFESSOR
DA CULTURA DO CALVÁRIO
DO POVO TRABALHADOR

BASEADOS NOS CRAQUES
AS FAVELAS MILÍCIAS
AS SOMBRIAS POLÍCIAS
TRISTES MULAS JUVENIS
OS COMANDOS VIRIS
AS PRESAS TÃO ABATIDAS
CICATRIZES E FERIDAS
NO SEIO DO MEU PAÍS

UMA LUZ CENSURADA
UM PADRE EMBEVECIDO
UM DÍZIMO ESTORQUIDO
UMA PROFISSÃO DE FÉ
UM NEGÓCIO DE NATAL
UM NOEL QUE JÁ NÃO VEM
NA BARRIGA OUTRO NENEM
OUTRO ESTURPO DE MULHER

BRASIL!!!!!!!!!!!!!!

SÃO PEDAÇOS DE BRASIL QUE EU CANTO
SÃO RETRATOS DA PÁTRIA MÃE GENTIL
SÃO SORRISOS DO MEU PRANTO
SÃO PEDAÇOS DE BRASIL

REMAKE OUTUBRO 2009 - VII



CAROS LIMITES MUSICAIS
PUBLICADO EM 27 DE OUTUBRO DE 2.009.
CARO, MEU CARO.
Domingo acordei tarde. Conforme falei, me esbaldei na Appaloosa na madrugada anterior e o corpo pediu cama por toda a manhã. Por isso, creio que pela primeira vez num domingo neste ano não comprei meu tradicional exemplar do "O Globo". Nem do "Extra". Era o presságio de que Deus não queria que eu visse o Caderno Especial do Vale do Paraíba que "o Globo", agora com parceria de seu jornal para a classe C, "Extra", faz todo ano para morder verbas públicas na região. Fazem anos que tenho o prazer de botar para correr os corretores do jornal quando me visitam na Câmara Municipal. Esta organização jornalística nunca teve muito respeito pelo nosso povo, mas adora nosso dinheirinho. Mas enfim, fiquei livre de ver o Caderno. Ledo engano. Acabei de receber o exemplar aqui na Câmara, e desta vez a Prefeitura de Barra Mansa se superou no esbanjamento. São VINTE PÁGINAS COLORIDAS no encarte, patrocinadas pela prefeitura. Eu tenho até medo de ver daqui a meses no balancete da PMBM o quanto isto custou para a cidade. Mas tenho uma certeza: Caro, meu caro.
Mas isso não era o pior. O carro chefe das matérias pagas e feitas em exaltação a administração em troca das já mencionadas polpudas verbas públicas era o Projeto Música nas Escolas, e tinha o seguinte título: “NOS ACORDES DA EXCELÊNCIA – PROJETO MÚSICA NAS ESCOLAS ENSINA MÚSICA A 22 MIL ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO”. Na ampla matéria paga, existem depoimentos de Isaac Karabtchevisky e Joaõzinho Trinta, enaltecendo o projeto. Não tenham dúvida que os dois talentos inegáveis também já foram aquinhoados com nosso suado dinheirinho para manifestar tal gratidão. Até aí, vá lá. Mas o que mais me impressionou foi o desfecho da matéria, que reproduzo integralmente:
“Prova dessa elevação de autoestima foi dada por um aluno de 10 anos, que, ao ser perguntado se queria ser músico quando crescesse, respondeu: “Mas eu já sou músico!” Desse jeito, com certeza o palco não será o limite”
Eu não sei, nem a matéria falou quem é esse inocente de 10 anos. Mas filho, seu palco nunca será o limite em nossa cidade, mas sim os limites da nossa cidade, onde os palcos estão vetados, a música proibida e os bares fechando. Os músicos são discriminados e nossa cidade não tem hoje, absolutamente nada de auto-estima. Estude música sim, mas procure outra profissão paralela ou outra cidade, pois aqui não há espaço para felicidade, lazer e arte, na visão das últimas administrações.
Diz ainda o parágrafo anterior ao desfecho “apoteótico”, que o através do projeto, os jovens conquistaram autoestima, dignidade e reconhecimento através da música.
Caros jovens, é exatamente o contrário o que nossa cidade está oferecendo aos músicos adultos. Só vemos desrespeito, preconceito e abandono. Não caiam nessa. Lutem com a gente para que a arte e a música tenham sim, espaço assegurado em todos os nossos arredores para que em breve futuro possamos absorver o talento de vocês, e não coloca-los à margem da sociedade num processo de marginalização que machuca a todos que realmente gostam de música e lazer, e contrariam notoriamente aqueles que simplesmente a usam com fins eleitoreiros e politiqueiros e são os arautos da ditadura do silêncio que assola Barra Mansa. Caso contrário, o custo para a sociedade, com ênfase para esses jovens músicos e suas famílias, será como o custo da propaganda: Caro, meu caro.

REMAKE OUTUBRO 2009 - VI



BAR DOS AIS
PUBLICADO EM 26 DE OUTUBRO DE 2.009.
Eu sou fã de bares. Longe de ser alcoólatra, acho que o bar é o espaço mais democrático das cidades.
Em 2001, fiz uma canção em alusão aos desabafos que os bares são testemunhas e psicólogos. Com essa repressão que está acontecendo em nossa cidade contra os bares, creio que seja conveniente posta-lo no blog:

BAR DOS AIS

Quem tiver dentro do peito, um suplício, uma saudade,
Desabafe meu amigo, sente aqui, fique a vontade,
E quem sabe nessa troca de consolo e amizade,
Beberemos os deslizes, cuspiremos a maldade.

É messe bar que a gente chora e implora,
Uma nova aurora, uma chance a mais,
É nessa roda que o povo adora,
Quem se humilha e chora, e clama por seus ais.

De tira gosto prove o seu castigo,
E de um amigo, sirva uma ilusão,
Do seu peito, trague um desabrigo,
E se embriague no seu coração.

De uma saideira, faça um poema,
E de um dilema, grite o seu rancor,
Mas não se entregue, a vida é um cinema,
Onde sofrendo, somos o grande ator.

REMAKE OUTUBRO 2009 - V



COMPOSITOR TAMBÉM, PERO NO MUCHO
PUBLICADO EM 23 DE OUTUBRO DE 2.009
O pessoal marca colado. Após a suspeita de informação fradulenta ao auto inititular-me como poeta, agora vem a pergunta capiciosa de quem viu o meu perfil no blog: Compositor de que, cara pálida?
Olha gente, pode parecer exagero mas até samba-enredo já fiz, mas isso fica para outra postagem futura.
Já compus sim, apesar de não ter conhecimento didático musical, pois a sonoridade e a musicalidade existem em cada frase de cada um de nós, e por isso já me atrevi a compor algumas letras de música, uma delas inclusive está sendo analisada com carinho pelo Diogo Nogueira.
Trata-se de um samba feito em exaltação à minha escola de paixão, a Portela, da qual já tiver a oportunidade de desfilar na Diretoria por dois anos seguidos. Justamente quando não pude ir, me identiquei, guardadas as enormes disproporções, com Paulinho da Viola e João Nogueira que na época andavam ensaiando seu retorno a escola de Madureira. Então, saudoso do tempo que a Portela era gigantesca sem a divisão com a Tradição, compus um samba que vai abaixo:

DIZER SIMPLESMENTE PERDÃO

Dizer simplesmente Portela
que és a mais bela,
é rima barata,
adorno de lata.
Tu és mais que escola de samba nos pés,
és vida, és arte,
cultura que és.
Escondido passei na avenida e ouvi o teu canto, santo.
Emoção mais que definitiva, ensaio de pranto, tanto.
Por amor, por temor, por vaidade,
maculei minha fidelidade,
blasfemei, insultei, me perdi,
e fingi que fingi que traí,
Mas agora ao flertar-te de novo
Me joguei nos teus braços do povo,
Portela mãe canção,
Portela tradição,
Portela de Paulinho e de João,
Dilata o coração,
extende a tua mão,
Perdão, perdão, perdão, perdão,
perdão, perdão, perdão, perdão...
Dizer simplesmente...

REMAKE OUTUBRO 2009 - IV



LARANJA – LEÃO DO SUL – RECANTO – DENÚNCIA
PUBLICADO EM 22 DE OUTUBRO DE 2.009.
Hoje vi uma postagem no estacaobm.blogspot.com efetuada por meu amigo Figurótico. Falava a brilhante e sentimental coluna sobre o fim do Barra Mansa, mais precisamente se reportando a demolição da antiga sede do Barra Mansa Futebol Clube. Sobre este assunto polêmico e extremamente blindado pela Prefeitura da cidade, finalmente vou desabafar.
No início deste ano ao analisar os balancetes da Prefeitura e suas autarquias em 2008, resolvi pela primeira vez, ver o conteúdo da FEBAM, antiga Fundação de Cultura e Esporte e Lazer da cidade, e aí começou a novela que certamente demorará a ter um desfecho.
Constatei que no mês de abril de 2008, a Febam repassou ao “CLUBE DO RECANTO” uma quantia expressiva e não entendi o porque, e para minha espécie, tais procedimentos continuaram a ser observados nos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro.
Somando-se o valor dos repasses, se chegou quantia de R$575.000,00 (Quinhentos e setenta e cinco mil reais).
Imediatamente procurei o assessor legislativo do prefeito na Câmara Municipal e o indaguei a respeito, assim como fiz com alguns vereadores da base de sustentação de governo.
Todos eles informaram que nada sabiam do assunto.
Intrigado, perguntei por telefone sobre a origem dos repasses ao falecido Secretário de Governo de Barra Mansa, Lúcio Teixeira, e ele só me afirmou que estava tudo dentro da legalidade, mas não se aprofundou na resposta. Evidentemente insatisfeito, procurei o vereador Guto Nader, e lhe informei do fato estranho e insólito.
Prontamente ele redigiu um pedido de informação ao prefeito Zé Renato, que na mesma semana fora aprovado por unanimidade no plenário da Camara.
Isto posto, o prefeito teria quinze dias para responder as indagações a respeito dos repasses e anexar os documentos pertinentes.
Para nossa surpresa, em apenas três dias ele respondeu laconicamente o pedido de informações do vereador, sem anexar documento algum, apenas informando que os valores repassados ao CLUBE DO RECANTO foram para fazer face as despesas do campeonato de futebol amador da cidade, a participação da cidade na Copa TV Rio Sul de Futsal e para ajudar a participação do BARRA MANSA Futebol Clube nos campeonatos estaduais de futebol da terceira divisão, nas categorias junior e profissional. Nada mais disse a não ser informar que tal colaboração era advinda do clamor popular e faziam parte das comemorações do centenário do leão do sul.
Em toda a minha vida pública, jamais vi uma confissão de culpa e crime tão rápida e evasiva. Configurou-se claramente na resposta do prefeito, a quem respeito e tenho carinho, a criação oficial do termo “laranja”, pois o CLUBE DO RECANTO estava desta forma sendo “laranja” do BARRA MANSA FUTEBOL CLUBE, segundo as próprias informações do prefeito Zé Renato.
Faço uma pausa na linha de raciocínio para informar que o Barra Mansa disputou apenas doze jogos no campeonato, tinha vários jogadores com salários pagos por empresários e suas despesas de transporte, alimentação e hospedagem eram parcialmente pagas pela própria prefeitura e alguns beneméritos do time, enquanto o Fênix, que não teve nenhum apoio deste porte, jogou dezoito partidas e sua despesa ficou em um quinto dos valores repassados via terceiros para o Leão.
Não demorou muito para eu me lembrar, que justamente na época do início dos repasses até hoje suspeitos, o presidente do Clube do Recanto era o Sr. João Luiz Cuntin Rezende, o popular Jojô, que coincidentemente foi nomeado pela prefeitura no mesmo período como Assessor Especial de Esportes. Também recordei que durante este período o próprio Jojô, assim como o Sr. Celestino Rezende e o Sr. Renine Oliveira, foram presidentes do Barra Mansa Futebol Clube. Vale lembrar que o Sr. Renine era e ainda é Diretor Executivo do SAAE e o Dr. Celestino era e ainda é Assessor Jurídico da Prefeitura. Também recordei que o Procurador Jurídico da Prefeitura, Dr. Ronaldo Barbosa, é um dos conselheiros do Clube do Recanto, isto sem contar outras personalidades que tem vínculos com as dois ou três dos órgãos mencionados: Recanto, Prefeitura e Barra Mansa F.C..
Para o leitor ficar ainda mais encafifado, informo que o último ato do ex-prefeito Roosevelt Brasil, no dia 31 de dezembro, foi VETAR uma emenda dos então vereadores Rodrigo Drable e Ademir Melo, que concediam no orçamento público, de forma legal, a doação de quase quatrocentos mil reais ao Barra Mansa Futebol Clube.
Para botar ainda mais pimenta neste vatapá temperadíssimo, também informo que a primeira mensagem do prefeito atual, foi a criação de diversos cargos na prefeitura, sendo dois deles a nível de primeiro escalão, e coincidentemente os dois nomeados para tais cargos foram o Sr. João Luiz Cuntin Rezende e o ex-prefeito Roosevelt Brasil.
Quando descobri este arranjo, era sócio e freqüentador habitual do Recanto, onde ainda tenho inúmeros amigos, mas de lá para cá, não me senti mais a vontade para continuar essa rotina. Me senti, como muitos sócios, usado e abusado.
Fiquei sabendo que a atual direção do Clube, colocou em seus murais internos a informação que nenhum centavo destas verbas ficou no Clube, foram todas repassadas a Barra Mansa Futebol Clube. Se isto procede, só vem a acentuar a improbidade, mas deixemos a justiça analisar.
Quando assumi a Presidência do PSC de Barra Mansa, partido de meu Deputado federal Delei, visitei junto com meu “staff” partidário as dependências o jornal “A Voz da Cidade”, e municiado de todos os documentos alusivos que comprovam as afirmações acima, dei uma entrevista que seria publicada imediatamente. Estranhamente nada foi publicado e dois dias após recebi a visita em meu Gabinete do amigo Vivaldo Ramos, dono do Transporte Generoso, e famoso benemérito do Barra Mansa Futebol Clube. Gentilmente ele me doou um livro sobre a nova ortografia e disse que tal livro seria importante para minhas bem escritas linhas futuras. Concomitantemente narrou a sua trajetória de vida e seu amor por Barra mansa, do qual nunca duvidei. Mas veio junto o pedido para não tocar no assunto polêmico visto que isto poderia prejudicar o Barra Mansa Futebol Clube. Infelizmente não pude atende-lo e no dia seguinte fui no programa Café no Bule, do Paulinho Lima, onde achei ser o único espaço radiofônico que ainda não estava contaminado com as verbas publicitárias da prefeitura. Peguei-o de surpresa, mas em poucos minutos fiz o relato da denúncia e coloquei-me a disposição para processos e ações movidas por qualquer um que se sentisse prejudicado com minhas colocações, inclusive fornecendo meus dados pessoais, endereço e números de documentos. Até hoje, apesar de algumas ameaças indiretas, ninguém ousou me acionar na justiça sobre o tema, mas continuo a disposição.
Coincidentemente, e hajam coincidências, passei a ver no jornal “AVoz da cidade” propagandas coloridas e amplas da Transporte Generoso.
Informo que entre as pessoas citadas, infelizmente, por várias delas sinto respeito e carinho, e rogo para eu não se sintam ofendidas, mas Barra Mansa é maior do que as minhas satisfações pessoais.
O leitor deve me perguntar se imagino a origem deste imbróglio. Imagino, sim. O Prefeito da época, Roosevelt Brasil, pessoa a quem não confio nem respeito como ser humano nem como político, é um homem de inteligência privilegiada e dotado de um maquiavelismo sem precedentes na cidade. Com sua sagacidade, não faz nada que não seja monitorado por pesquisas que algo me diz que são financiadas com o nosso suado dinheirinho, mas isto é outra conversa.
Por estar atento as informações, ele percebeu que no início do ano, o seu adversário Ademir Melo, liderava com folga todas as pesquisas relativas a eleição de outubro e seu candidato Zé Renato não emplacava de jeito algum. Percebendo o quadro político, Roosevelt notou que entre os jovens e os esportistas, para quem seu governo pouco ou nada fez, a liderança de Ademir era ainda mais acentuada. Precisava então Roosevelt, adentrar no segmento de forma rápida e objetiva. Nada mais conveniente que o Barra Mansa Futebol Clube estar comemorando centenário de vida. Mesmo após sete anos de total abandono ao clube, Roosevelt resolveu ser o grande benemérito do Leão, e colocou a máquina a disposição do clube tentando reverter as posições eleitorais.
Infelizmente, a necessidade falou mais alto que a ética, e os dirigentes do leão, que há pouco tempo defenestravam o prefeito, passaram a lhe abrir as portas e os braços. O resto foi conseqüência, pois como diz o ditado: “A ocasião faz o ladrão!”.
Tentei de todas as formas receber informações e relatórios claros e objetivos da origem legal e do destino de tais verbas, evitando se fosse possível, possíveis injustiças, mas infelizmente, ate agora nada.
Mas a novela ainda tinha mais capítulos.
Em abril deste ano, a própria prefeitura repassou vinte e poucos mil reais ao Clube do recanto, mas segundo me informaram, o Clube desejou abocanhar uma fatia e a parceria melou.
Porém, no dia 28 de agosto de 2009, a prefeitura de Barra Mansa pagou ao Barra Mansa futebol clube, a quantia de R$500.000,00 (Quinhentos mil reais).
As informações obtidas dão conta que tal valor é referente a desapropriação do imóvel mencionado pelo Figurótico. Dizem ainda que o valor proposto era de duzentos mil, mas a justiça achou pouco e recomendou quinhentos, o que a Prefeitura concordou sem hesitar nem contestar judicialmente.
Dias após o Leão foi novamente eliminado do campeonato da terceira divisão e o Fênix segue seu vôo em céu de brigadeiro.
Está aí, Figura, o motivo do desabamento, vai servir para construção do Vieira da Silva, que se você lembra, foi razão de recente embate técnico da Maçonaria com a PMBM, Maçonaria esta que tem nos seus valorosos quadros, as figuras do Vivaldo e do Ronaldo, entre outros.
Infelizmente, não deu mais para segurar, e o vereador Guto Nader, adentrou com esta denuncia no Ministério Público. Lá no MP, as verbas públicas não dizem nada, só a verdade satisfaz. Lá no MP, reside minha esperança de que esta história seja colocada em pratos limpos e os inocentes se assosseguem e os culpados, se houverem, paguem na forma da lei. Lá no MP, existe a esperança de que a gente não veja nossos valores morais serem derrubados sem piedade.
Agora, caro amigo, independentemente desta lambança, temos que discutir o mérito social. O Barra Mansa Futebol Clube é de seus associados ou é da cidade? É justo uma cidade que não tem saúde nem educação de qualidade, alicerces principais de uma sociedade, despender tantas verbas para o deleite de alguns torcedores mal sucedidos? O apoio ao esporte ao nosso ver, tem que ser feito dentro da legalidade, com criatividade e inteligência, assim como fez o prefeito Neto de Volta Redonda, que agindo sempre como um embaixador do Voltaço, construiu legalmente um dos estádios mais modernos do mundo, não só para a prática do esporte bretão, mas para serviços sociais de longo alcance que fazem o orgulho diário dos volta-redondenses.
Lá valeu a luta, pos os resultados foram semeados em terra frondosa e sob o sol da legalidade. Aqui dificilmente prosperará uma ação por baixo dos panos, onde nem os sócios proprietários do Clube do Recanto foram informados da negociata e do trampolim para qual serviram, financeira e politicamente.
Vale ressaltar que a ajuda financeira ao Barra Mansa Futebol Clube de forma direta, era vetada face as dívidas previdenciárias e fiscais do Leão do Sul. Agora certamente com a verba da desapropriação a situação deve ser regulamentada e novos repasses deverão vir por aí.
Sei que esta polêmica desagrada a muitos, inclusive a diletos amigos meus, mas tenho o sonho de ver esta cidade passada a limpo, e que seu futuro seja em caminho fértil para como diz meu amigo Beto Guedes, possamos merecer quem vem depois. À juventude sofrida e castigada de Barra Mansa, ofereço este depoimento, esperando que seus valores sejam melhores do que os da minha geração, que nasceu e foi criada sob o chicote implacável da corrupção.

REMAKE OUTUBRO 2009 - III



POETA SIM, MAS NÃO MUITO
PUBLICADO EM 22 DE OUTUBRO DE 2.009
Recebi e-mails de amigos que ao verem meu perfil no blog, não entenderam a minha auto qualificação de poeta. Realmente não é o meu ófício mas arrisco umas linhazinhas. Há quase trinta anos atrás, na adolescência, escrevi o poema abaixo, dando início a alguns outros e achei que dava para continuar tentando. Aceitem como modesta prova inicial da minha pretensão:

"Quando os olhos se encontram, a respiração ofega,
o coração vacila, o tremor aumenta.
Bem que a gente tenta manter o olhar,
mas existe o medo, medo de amar.
Bem que a gente quer,
ter uma mulher,
pra na noite fria,
ter a mão amiga,
que vem graciosa,
que vem gratuita,
sincera,
e espera,
a gente adormecer.
Mas entre o sonho e a vida,
algo me intriga:
Por que a gente tanto quer,
mas tem medo de achar?
Deve haver algum lugar,
entre o céu e o mar,
no meio do espaço,
que neste cansaço,
de tanto procurar,
a gente enconste sonolento,
ao barulho do vento,
sonhando em sonhar,
e sem querer na desistência,
a insistência do destino,
nos faça de vez menino,
nos faça enfim amar.

REMAKE OUTUBRO 2.009 - II



YELLOW END SUBMARINE
PUBLICADO EM 21 DE OUTUBRO DE 2009

AMARELINHO, MAIS UMA VÍTIMA DA DITADURA.
Domingo passado, como era de hábito, fui no Amarelinho no Ano Bom, manter a tradição de torcer para o meu Mengão ao lado do parceiro de fanatismo Luiz Cláudio. Tem dado certo. Vimos a vitória do Pet e dos outros dez e tomamos a costumeira cervejinha. Normalmente depois do jogo, amigos vão se juntando e colocamos em dia as notícias do fim de semana e ficamos com todos os micos pagos registrados. Este mesmo bar, seja nos domingos ou em algumas quintas e sextas, ousou colocar música ao vivo. Este mesmo local ficou notabilizado por assentar diversas mesas compostas só por mulheres (o que é raríssimo neste condado), pois nunca foram importunadas nem discriminadas. Este mesmo local serviu como ponto de partida para baladas por aí afora. Este mesmo pequenino espaço serviu para amigos se conhecerem e debates interessantes rolarem. Apenas dez mesas, mas que foram palco de muita coisa legal. Pois é, ...FORAM. Neste domingo, a casa fechou. Não agüentou a pressão fiscal e o preconceito contra a música que assola nossa Barra Mansa. A Padaria do lado arrematou o espaço. Ficaremos mais gordos com pães e presuntos na frente da tv e mais burros e chatos sem música nem arte. Esta é a tendência.
Na saideira, Figurótico e Pança tocaram as últimas notas no local. Confesso que as lágrimas rolaram por dentro e por fora. Em minutos viajei em tantos momentos bons passados ali, local de resistência aos desmandos e abusos do restaurante grande que fica ao lado.
A vida ficou mais triste e a burguesia falida ganhou mais uma. Agradeci ao Leandro Big-Mac pelo carinho sempre dispensado, tomei a saideira, paguei a conta e sai com a alma em luto.Vou tentar juntar os cacos e reagir. Vem comigo.

REMAKE OUTUBRO 2009 - I



Estamos chegando a postagem de nº 2.000. Neste período desde outubro de 2.009, mais precisamente no dia 21 de outubro, já recebemos mais de 310.000 acessos. Nas primeiras semanas e meses muito mal contabilizavamos 20 acessos diários e hoje, mesmo nos domingos e feriados a gente nunca recebe menos de 1.000 visitas. Os novos amigos e leitores, que são a maioria, não participaram de nosso Blog desde seu início, portanto creio ser oportuno, a partir de hoje, relembrarmos as postagens que marcaram nosso Blog e foram responsáveis pela sua divulgação. Na seção REMAKE, vamos nos ater a princípio à algumas das postagens efetuadas no primeiro mês de vida do nosso Blog. Começamos com a primeira postagem, a postagem que motivou a criação do Blog, a postagem que marcava nossa luta contra a ditadura do silencio absoluto:

A DITADURA DO SILENCIO ABSOLUTO
PUBLICADO EM 21 DE OUTUBRO DE 2.009
MÚSICA NAS ESCOLAS ... DE CUSTÓDIA.
Como barramansense oficialmente adotado e amante da cidade, vejo com tristeza o estado de baixo-estima em que se encontram nossos conterrâneos. É lugar comum falar que Barra Mansa não oferece opções de lazer e não há como questionar esta ponderação verídica e indiscutível. Fala-se que Barra Mansa é omissa culturalmente e novamente temos que calar perante a verdade absoluta. Mas, creio que nosso papel é tentar identificar as razões para o quadro lamentável que pasmados assistimos com pesar, e só a partir daí, tentar concatenar ações para a reversão desejada por quem precisa de lazer para viver. Atiro a primeira pedra e coloco-me como vidraça perante as possíveis retaliações. Vamos por partes: Primeiramente vamos nos ater a questão das administrações municipais e sua conivência com o abandono denunciado. Enfrentamos o governo da Prefeita Inês Pandeló e depois, oito anos de Roosevelt Brasil, que elegeu seu sucessor e ainda tem notória autonomia no centro administrativo. E o que os dois têm em comum? Já atravessaram a idade das aventuras, não nasceram nem tiveram as suas infâncias em Barra Mansa, nem no Estado do Rio, e são ligados a grupos religiosos austeros e conservadores. Por conseguinte, os seus vínculos com nossas tradições e com os festejos só acontecem em caso de conveniência política (como foi o caso do da lavagem de dinheiro envolvendo o Clube do Recanto e o Barra Mansa Futebol Clube, mas isso é assunto para outra discussão). Aí deparamo-nos com os formadores de opinião da cidade e sua influência na postura administrativa de nossos mandatários. Analisemo-os então: São, em maioria, pessoas idosas, oriundas de famílias tradicionais da cidade, que nos áureos tempos da juventude aproveitaram à exaustão as festas, os bailes, as músicas, as bagunças, os carnavais, enfim, a vida em sua plenitude, na concepção da juventude. Mas hoje cansaram. Cansaram por dois motivos: Primeiro, pelo lógico avanço da idade e a queda da vitalidade; e cansaram porque via de regra, não possuem mais recursos em abundância para esbanjarem a vida como seus antecessores. Resumindo grosseiramente: Nossa fina flor da sociedade murchou. Nossa burguesia faliu. As pétalas alvissareiras de gozo de nossa antiga juventude dourada, foram despetaladas. E aí criou-se coletiva e inconscientemente a ditadura do silêncio. Estabeleceu-se na cidade sem a resistência dos governantes, a regra da televisão como forma-mor de divertimento e as pizzas nos finais de semana como símbolo principal de deleite. Algumas famílias ainda economizam durante todo o ano, com muito sacrifício, moedas em cofrinhos para nos verões efetuarem uma pseudo-ostentação em Cabo Frio, onde todos podem ser vistos, no afã de maquiarem as suas lamúrias durante uma vida inteira, vendendo barato uma falsa imagem de sucesso e abundância. Queime-se então na fogueira dos impuros, sem julgamento prévio nem direito a defesa, as mesas nas calçadas, as cordas do violão, os bares animados, as vozes dos virtuosos, os clubes resistentes, os sonhadores e suas blasfêmias, os carnavalescos e suas fantasias, as cabeleiras ao vento, as pernas de fora e as expressões de felicidade. Essas então, condene-as como imperdoável pecado mortal sob o jugo implacável aplicável pelos barões que criaram a cidade e hoje dão ordens nas cadeiras à direita do centro do paraíso silencioso ao lado do Todo Poderoso. E para não enfrentar os possíveis votos controlados por essa classe “dominante”, nossos políticos administradores saciam os anseios reacionários da plêiade fracassada e colocam o seu arsenal a disposição dos dinossauros intelectuais liberando ostensivamente guardas e fiscais sob a batuta de leis interpretadas sem critério nem bom senso. Agora mesmo, somente no Ano Bom e bairros circunvizinhos há a impiedosa e inflexível restrição as mesas nas calçadas, mas nos outros arredores pode, simplesmente porque nos outros pontos não se ousa colocar música ao vivo. Ah! Música ao vivo! Sinônimo de bagunça, orgia, drogas, sexo irresponsável, assassinatos, roubos, estupros, marginalidades e outras atrocidades indescritíveis. Faria tudo sentido, se a prefeitura não propagasse aos quatro ventos o sucesso de seu projeto Música nas escolas. E é aí que mora o maior crime cultural que já vi ser maquinado. Aí que reside a inconseqüência e a maldade em favor da manutenção de poder. Pergunta-me o desavisado internauta: Quem mal pode haver num projeto que ensina com êxito cinco mil jovens, a arte da música? Respondo com prazer: Nada, se esse projeto tivesse início, meio e fim. Se este projeto não servisse para compras superfaturadas e apelos políticos imediatos. Pois caro leitor, o que faremos com esses jovens quando já na sua adolescência, eles não puderem exercer a sua arte em sua própria cidade, onde tudo é proibido? Mandaremo-os para fora, como já fazemos com nossos jovens nos finais de semana sob os riscos das estradas noturnas e alcoolizadas, ou os internaremos em clínicas psicológicas para que o seu talento reprimido não se transforme em revolta e concepção de genialidades criminosas contra a própria sociedade organizada? O assunto é demais extenso e poderia ficar horas em meu computador tecendo conjecturas a respeito. Mas vamos ao que interessa: O que podemos fazer antes que a coisa fique ainda pior do que já está? Creio que podemos usar nossos músicos, que mesmo contra a vontade de nossos governantes locais, também são formadores de opinião, para que, num discurso comum e intermitente, em suas exibições em quaisquer searas, efetuem resumidamente e de forma uníssona, a convocação da população para uma ampla reflexão sobre o tema e se crie uma adversidade para os precursores da intolerância exacerbada. Precisamos criar um código comum para ser usado como uma bandeira pela vida e pela arte, sem coloração ou conotação política ou partidária, mas com um ideal de amor à vida e a beleza da arte e da música. Coloco desde já com a anuência do Presidente, a estrutura da Câmara Municipal para sediar ou intermediar tais desejados encontros, antes que seja tarde demais. Músicos, intérpretes da inspiração, propagadores da alegria, sonorizadores da vida, unam-se pelo bem de quem quer viver em paz e em abundância. È o meu desejo e minha proposta. Sirva-se se desejarem.

Júlio César Fialho Esteves, é Controlador Geral da Câmara Municipal de Barra Mansa, tem 47 anos, mas está muito longe de desistir de viver com prazer; não faz parte das oligarquias fracassadas porque já nasceu em berço quebrado; tem 3 filhos jovens que são obrigados a sair de Barra Mansa em busca de vida, e uma mulher que não dorme por causa disso; desafina em caixa de fósforo mas adora música; e acredita que lugar de músico é no céu e não no inferno; e sempre que pode, menos do que gostaria, coloca a galera para tocar, carregando o desejo secreto de fazer alguma coisa a mais por todos nós.

SE É POR FALTA DE CONVITE...

Um e-mail interessante, simples e conciso, foi publicado pelo jornal Diário do Vale na Coluna Opinião dos leitores, na edição de hoje, abordando a matéria COLOCAÇÃO DE MANILHAS GERA TRANSTORNOS EM BARRA MANSA. É assinado pelo leitor MARQUINHO, pelo site do DV. Merece reprodução:
Com certeza não é nada anormal isto acontecer em Barra Mansa. Ora, imagina você trabalhador ou você que é aposentado, mas dedicou grande parte da sua vida ao trabalho, todos os dias o seu chefe chega perto de você e cobra as tarefas que você deveria ter feito, e até mesmo diz que seu trabalho está todo atrasado ou um estudante que não cumpre com as tarefas. O que você acha que iria acontecer? Provavelmente, o seu chefe ficaria insatisfeito e você seria mandado embora ou o estudante seria reprovado. Agora eu te pergunto: quem é o grande empregador do Prefeito de Barra Mansa? Quem é, que paga o salário do Prefeito de Barra Mansa? Por acaso, não é o povo? O povo é quem vota e transmite o poder ao Prefeito, e também é o povo quem paga os impostos para o Prefeito colocar todo o mês o dinheiro no bolso. Mas quando o povo está insatisfeito e as cobranças começam a ser constante numa cidade como Barra Mansa, você sabe o que o povo faz? O povo manda embora, por isto devemos dizer: vai embora Zé Renato!