
PEIXE MORRE PELA BOQUINHA.
Na edição de hoje do Diário do Vale, lemos uma matéria entitulada "ZÉ DO CARMO DESCARTA CONFLITO NO PT EM BM", fazendo alusão a nomeação de Zé do Carmo como titular da recém criada Secretaria Municipal de Habitação e Interesse Social conflitando com os depoimentos da deputada petista Inês Pandeló que descarta qualquer tipo de apoio do PT da cidade ao governo Zé Renato. Inês vai mais além afirmando categoricamente que o PT é frontal oposição ao governo atual.
Temos que analisar a coisa por diversos aspectos: Primeiramente é bom afirmar que o petista Zé do Carmo foi candidato a presidente do diretório municipal do partido obtendo 30% dos votos, o que demonsta claramente que ele tem influência em boa parte do segmento petista. Fica claro, pelos depoimentos da deputada, que o partido na cidade enfrenta cisão e conflitos internos. Não há mais como negar.
Na outra ponta da história, de forma oportunista e demagógica, o prefeito cria uma pasta, completamente sem procedência prática, visto que feita ao apagar das luzes. Tenta ele de forma explícita cooptar apoio de facção petista para a sua reeleição. Para minimizar o descalabro, o prefeito argumenta que a escolha foi meramente técnica e pessoal visto que Zé do Carmo teria sido premiado pelo desenvolvimento de um trabalho social no Complexo do Alemão, na capital carioca, onde através de recursos do PAC ele teria chegado a bons termos. Argumenta o prefeito que a nomeação de Zé do Carmo seria um atalho para obtenção de recursos para a habitação graças ao seu bom trâmite com personalidades da alta cúpula federal. Mas como peixe morre pela boca, o próprio Zé do Carmo argumenta que esteve esta semana no Rio de Janeiro e travou contato com a Ministra do Desenvolvimento Social e com o secretário estadual de asistência social, "trocando contatos, telefones e emails" (grifo nosso). Ora, se após seu trabalho no Complexo do Alemão, só agora ele teve oportunidade de trocar telefones e emails com os mandatários, isso comprova que até então ele não tinha nenhuma forma de aproximação, jogando por terra o argumento falho do prefeito em convidá-lo e o dele em aceitar, contra as diretrizes municipais do partido.
O que Zé Renato pretende é rachar o PT e o que Zé do Carmo pretende é ganhar salário de R$11 mil mensais. Nada mais. Ricardo Maciel, ferrenho opositor petista, e por conseguinte, por vezes exagerado, teima na pecha de que o PT é o partido da "boquinha". Por essas e outras, creio que o amigo Ricardo tem lá suas razões.
































